terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A SÍNDROME ALCOÓLICO - FETAL - RUY PALHANO SILVA

Ruy Palhano Silva
Ruy Palhano Silva atualizou seu status: "A Síndrome Alcoólico-Fetal – SAF O álcool etílico é uma das substâncias psicoativas mais utilizadas pelo homem e seus efeitos no cérebro e em outras partes do corpo já são bastante conhecidos. Na Inglaterra, na primeira metade do século XVIII, quando o consumo de gim era disseminado, as crianças nascidas de mães alcoólatras eram descritas como fracas débeis e desatentas. Apesar disso, até o século passado, a prática das mulheres grávidas não beberem durante a gravidez estava relacionado apenas a aspectos morais e culturais. Só em 1968, importantes trabalhos científicos demonstraram os efeitos teratogênicos (capacidade de induzir malformações biológicas em fetos) do álcool consumido durante a gestação. E, em 1973, foram identificadas alterações específicas em crianças nascidas nessas condições, denominadas de Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). A SAF é uma condição grave e irreversível relacionada diretamente à exposição do feto ao álcool. Porém, a ciência ainda não identificou a exata quantidade de álcool e o tempo de exposição à bebida que será necessário para o desenvolvimento desse transtorno. No entanto, há evidências que sugerem ser o consumo de 20 gramas de álcool suficiente para provocar supressão da respiração e dos movimentos fetais, fato constatado pelos estudos realizados através da ultrassonografia. O quadro clínico da SAF se manifesta com: microcefalia; hipotonia muscular; incoordenação motora; irritabilidade; baixo peso ao nascer; retardo no crescimento (baixa estatura); retardo mental, leve e moderado; dificuldades no aprendizado; alterações morfológicas do crânio e da face, consistentes, principalmente, em: estreitamento da fissura ocular, lábios superiores finos e lisos, rebaixamento na fixação da orelha e nariz chato e profuso. Como já é do conhecimento de muitos, o álcool etílico, e muitas outras drogas que agem no cérebro, ao ser ingerido pela gestante, atravessa a barreira hémato-placentária, fazendo com que o feto fique exposto às mesmas concentrações da substância presente no sangue materno. Ocorre, que para os fetos, os efeitos do álcool são maiores, devido ao seu metabolismo ser mais lento, tornando a eliminação da substância mais demorada, com maior permanência do álcool no líquido amniótico. O etanol induz a formação de radicais livres de oxigênio os quais são capazes de comprometer a estrutura e função das proteínas e lipídeos celulares. Isso aumenta a apoptose (morte celular), prejudicando, por conseguinte, a organogênese (mecanismo biológico que dá origem aos órgãos), fatos que explicariam os inúmeros problemas e prejuízos que sofrem as crianças vítimas desse transtorno, relativos ao seu crescimento e desenvolvimento. O álcool etílico também inibe a síntese de ácido retinóico, substância que regula o desenvolvimento embrionário. Tanto o etanol, quanto o acetaldeído (substância produzida no processo de metabolização do etanol em nosso organismo) têm efeitos diretos sobre vários fatores de crescimento celular, entre os quais, o de inibir a proliferação de certos tecidos. Há outros fatores que tornam os fetos mais ou menos sensíveis aos efeitos do álcool: a quantidade da bebida ingerida, freqüência de uso do álcool na época da gestação, o estado nutricional da gestante e a capacidade de metabolização do álcool da mãe e do feto. O consumo de álcool na gestação está também relacionado ao aumento do número de abortos, com o risco de infecções, descolamento prematuro de placenta, hipertonia uterina, prematuridade do trabalho de parto, etc. Apesar da gravidade epidemiológica e clínica da SAF (no Brasil, um caso para cada 1000 nascimentos), ainda há enormes dificuldades para o diagnóstico do alcoolismo em mulheres gestantes, apesar de se saber que, a cada ano, as mulheres estão bebendo mais e engravidando mais, especialmente as adolescentes. Assim, a situação tende se agravar, exigindo medidas preventivas para evitar a incidência da SAF."

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